A substância
cromática ganha, na pintura de Lena Gal, uma forma de dialogo intimista
que se propaga lentamente, sem pressa de alcançar o cimo da
montanha. Escolhe-se um caminho sereno, meditado, de modo atingir o cume de
mãos dadas aos fragmentos que possibilitam a descoberta de uma unidade contida
mas libertadora…
Os espaços são tocados por castanhos azuis e brancos
intensos, a terra-raiz e o sonho
errante, espiral desejada. O elemento feminino, que tem sido constante na
pintura de Lena Gal mantém uma forte relação
telúrica a que não será estranho . O berço açoriano da pintora ( S.
Miguel) porem as contemplações e buscas interligam-se já num plano menos
fechado, adensando-se o psicológico na expressão do corpo sensual. É neste
trajecto que artista faz a síntese de múltiplos olhares e do seu próprio olhar.
Maria Augusta Silva
Diário de
Noticias – 30 de Março / 2003
Silêncios femininos desafiam o entendimento humano
Os corpos, os rostos das personagens que habitam a
pintura de Lena Gal não são figuras de
mero estilo. Há nelas não apenas a circunstância do espaço e da forma e a
relação da pintora com o imaginário , mas , sobretudo , são mulheres que na
complexidade das emoções , numa intima
sensualidade , ganham um admirável expressivismo . Lena Gal não busca só o
efeito pictórico , vai mais fundo ao explorar todas as possibilidades
estruturais das suas obras. Fá-lo de um
modo inteligente e sensível . E nascem-lhe. então , silêncios femininos que se desnudam como um
chamamento e um desafio ao entendimento humano….Entre castanhos e brancos,
entre azuis e vermelhos que emergem como veias e sons da terra , as mulheres
dos quadros de Lena Gal assumem-se , no estético e na comunicação emocional ,
como intérpretes de perfis sociológicos numa escala que, no entanto , pondera a
oficina da pintora nunca reduzida a uma
representação do “real visto” ou a exercícios analógicos . Lena Gal não
subestima a transfiguração , sem deixar
, porém, de defender uma mensagem( a sua mensagem sobre o perceber” a
importância do feminino”) .
Maria Augusta Silva
Diário de Noticias 8 de Outubro de 2005

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