domingo, 9 de outubro de 2011

Corpos da Terra levados para o espaço do sonho






A substância  cromática ganha, na pintura de Lena Gal, uma forma de dialogo intimista

que se propaga lentamente, sem pressa de alcançar o cimo da montanha. Escolhe-se um caminho sereno, meditado, de modo atingir o cume de mãos dadas aos fragmentos que possibilitam a descoberta de uma unidade contida mas libertadora…

Os espaços são tocados por castanhos azuis e brancos intensos, a terra-raiz  e o sonho errante, espiral desejada. O elemento feminino, que tem sido constante na pintura de Lena Gal mantém uma forte relação  telúrica a que não será estranho . O berço açoriano da pintora ( S. Miguel) porem as contemplações e buscas interligam-se já num plano menos fechado, adensando-se o psicológico na expressão do corpo sensual. É neste trajecto que artista faz a síntese de múltiplos olhares e do seu próprio olhar.





                                              Maria Augusta Silva

                                  Diário de Noticias – 30 de Março / 2003





Silêncios femininos desafiam o entendimento humano



Os corpos, os rostos das personagens que habitam a pintura  de Lena Gal não são figuras de mero estilo. Há nelas não apenas a circunstância do espaço e da forma e a relação da pintora com o imaginário , mas , sobretudo , são mulheres que na complexidade das emoções  , numa intima sensualidade , ganham um admirável expressivismo . Lena Gal não busca só o efeito pictórico , vai mais fundo ao explorar todas as possibilidades estruturais das suas obras.  Fá-lo de um modo inteligente e sensível . E nascem-lhe. então  , silêncios femininos que se desnudam como um chamamento e um desafio ao entendimento humano….Entre castanhos e brancos, entre azuis e vermelhos que emergem como veias e sons da terra , as mulheres dos quadros de Lena Gal assumem-se , no estético e na comunicação emocional , como intérpretes de perfis sociológicos numa escala que, no entanto , pondera a oficina da  pintora nunca reduzida a uma representação do “real visto” ou a exercícios analógicos . Lena Gal não subestima a transfiguração ,  sem deixar , porém, de defender uma mensagem( a sua mensagem sobre o perceber” a importância do feminino”) .

      

                                               Maria Augusta Silva

                                     Diário de Noticias 8 de Outubro de 2005




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