alcançar a compreensão do todo
é necessário intuir o que se é, o que se não é e o que se deseja
ser. Para se chegar ao que se é, percorrem-se mil vias de silêncio,
de cuidados, de alegrias e tormentos, de amor e desalento, de sonho, pesadelo,
de cansaço, de insónia e criação.
Lena Gal é uma mulher. Intui-se, inteira, no seu ser feminino. Debruçada sobre a ilha, que respira desde a infância, deixa-se percorrer pelas sensações cromáticas dos ventos, do basalto, das cantigas das meninas nas eiras, ao entardecer, quando o crepúsculo tinge de azul o horizonte e os cabelos das mulheres que pinta.
A pintura de Lena Gal reflecte essa vibração líquida das águas, das neblinas, das maresias; uma vibração amena que se estende pelo corpo feminino, pelo ondular dos cabelos índigo, azuis cobalto e se estende pelas mãos, serenas e longas, abandonadas sobre o corpo.
Contrai-se, às vezes, a expressão corporal. Outras vezes o corpo da mulher é abundância; pernas abertas em abandono; raízes, troncos descuidados : autênticos poemas de carne, de pólen, de algas - uma sensualidade que atordoa, que inquieta, que deslumbra,
Lena Gal é uma mulher da ilha. O mar, o substrato líquido onde o corpo e a memória mergulham, inteiros. O fogo, a matéria ardente que escorre, em rios ocultos, nos vestidos da mulher de pernas densas, carnais, férteis searas de luz.
Lena Gal pinta no feminino: mulheres marinhas, aves incandescentes, poemas de carne com cabeças que voam nos intervalos do mar; pernas, pés, corpos disformes que antecedem a compreensão do todo, mas o intuem em expressões e cromatismos de uma imensa beleza.
A pintura de Lena Gal deixou em mim, no que julgo ser, enquanto mulher, uma réstia de luz.
E a esperança breve, de ver a mulher das ilhas abandonar o cais onde permanece, há séculos, aquém de si mesma.
É tempo de iniciar a viagem!
Horta, 15 de Fevereiro de 2009
Maria do Céu brito
A Vereadora da Cultura da Câmara Municipal da Horta Açores-------------------------------
Lena Gal é uma mulher. Intui-se, inteira, no seu ser feminino. Debruçada sobre a ilha, que respira desde a infância, deixa-se percorrer pelas sensações cromáticas dos ventos, do basalto, das cantigas das meninas nas eiras, ao entardecer, quando o crepúsculo tinge de azul o horizonte e os cabelos das mulheres que pinta.
A pintura de Lena Gal reflecte essa vibração líquida das águas, das neblinas, das maresias; uma vibração amena que se estende pelo corpo feminino, pelo ondular dos cabelos índigo, azuis cobalto e se estende pelas mãos, serenas e longas, abandonadas sobre o corpo.
Contrai-se, às vezes, a expressão corporal. Outras vezes o corpo da mulher é abundância; pernas abertas em abandono; raízes, troncos descuidados : autênticos poemas de carne, de pólen, de algas - uma sensualidade que atordoa, que inquieta, que deslumbra,
Lena Gal é uma mulher da ilha. O mar, o substrato líquido onde o corpo e a memória mergulham, inteiros. O fogo, a matéria ardente que escorre, em rios ocultos, nos vestidos da mulher de pernas densas, carnais, férteis searas de luz.
Lena Gal pinta no feminino: mulheres marinhas, aves incandescentes, poemas de carne com cabeças que voam nos intervalos do mar; pernas, pés, corpos disformes que antecedem a compreensão do todo, mas o intuem em expressões e cromatismos de uma imensa beleza.
A pintura de Lena Gal deixou em mim, no que julgo ser, enquanto mulher, uma réstia de luz.
E a esperança breve, de ver a mulher das ilhas abandonar o cais onde permanece, há séculos, aquém de si mesma.
É tempo de iniciar a viagem!
Horta, 15 de Fevereiro de 2009
Maria do Céu brito
A Vereadora da Cultura da Câmara Municipal da Horta Açores-------------------------------

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